Estudantes indígenas dos povos Wayuu e Ticuna colam grau na Unila

Yanderi Josefina Fernandez Hernandez | fotos: Divulgação Unila

Duas estudantes indígenas colaram grau nas cerimônias de formatura realizadas na Unila na semana passada. Yanderi Josefina Fernandez Hernandez, que pertence ao povo Wayuu da Colômbia, recebeu na quinta-feira (30) o título de bacharel em Relações Internacionais e Integração. Já a ticuna Nekinha Coelho, natural da região de Alto Solimões (AM), se formou em Antropologia – Diversidade Cultural Latino-Americana, na sexta (1º).

Yanderi e Nekinha são as primeiras alunas que ingressaram via Processo Seletivo de Estudantes Indígenas (PSIN) a concluírem o curso na Unila. Elas entraram na Universidade em 2020 e fazem parte da primeira turma do PSIN, seleção que anualmente oferta vagas para indígenas de todos os países da América Latina e do Caribe nos 29 cursos da instituição.

Para a reitora da Unila, professora Diana Araujo Pereira, a colação das estudantes indígenas representa um marcoYanderi Josefina Fernandez Hernandez, estudante colombiana wayuu importante na promoção da diversidade e da inclusão na Unila. “Essa formatura celebra não apenas a conquista acadêmica dessas estudantes, mas também simboliza o compromisso da Unila com a valorização das diferentes perspectivas culturais dentro do ambiente universitário. Esperamos que as trajetórias acadêmicas da Yanderi e da Nekinha inspirem outros e outras estudantes indígenas a vir para a Unila e fazer parte desta instituição que busca celebrar e valorizar a diversidade cultural latino-americana, bem como o conhecimento ancestral e os saberes tradicionais dos povos”, declarou.

Com o título em mãos, as novas bacharéis já fazem planos. Yanderi já está participando de um processo seletivo para ingressar em um mestrado na Unila. “Essa decisão se baseia na importância de continuar aprofundando os conhecimentos relacionados à defesa dos direitos indígenas em âmbito local, regional e internacional”, disse.

Yanderi contou que uma de suas inspirações para seguir estudando é a ativista Leonor Zalabata Torres, pertencente ao povo Arhuaco, e que se tornou a primeira indígena a ocupar o cargo de Embaixadora e Representante Permanente da Colômbia na Organização das Nações Unidas (ONU). “O exemplo dela é uma prova viva de que é possível levar a voz e os interesses dos povos indígenas para os fóruns internacionais, e é um exemplo que ilumina o meu caminho em contribuir para a defesa dos direitos do meu próprio povo”, ressaltou. Além de dar continuidade à formação acadêmica, Yanderi também pretende atuar para fortalecer a Associação de Estudantes Indígenas (CEI.Unila) e a Atlética Indígena, organizações que, segundo ela, são essenciais para garantir o bem-estar e a participação ativa dos estudantes indígenas na vida universitária.

Nekinha Coelho

Já Nekinha Coelho está decidida a atuar profissionalmente como antropóloga. “No momento, estou considerando diferentes opções. Permanecer em Foz do Iguaçu oferece oportunidades interessantes, mas também considero retornar para minha comunidade, onde tenho laços afetivos e possíveis oportunidades. Mas estou focada em buscar oportunidades profissionais que me permitam aplicar os conhecimentos adquiridos durante minha formação”, comentou Nekinha, que é a primeira estudante Ticuna – o povo indígena mais numeroso no corpo estudantil da Unila – a colar grau na instituição.

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